TOC tem causa? O que a ciência já sabe (e o que ainda não)

A causa do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ainda não é totalmente compreendida, sendo um desafio para os pesquisadores. No entanto, as evidências científicas mais consistentes indicam que o TOC envolve fatores genéticos, especialmente nos casos de início precoce e quando há predominância de sintomas de acumulação compulsiva. Além disso, fatores biológicos, como alterações na química cerebral e no funcionamento do cérebro, bem como aspectos relacionados ao ambiente, também podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

De que forma fatores biológicos influenciam o TOC?

Evidências consistentes apontam que a pessoa com o TOC possui um desequilíbrio neuroquímico, ou seja, há níveis muito altos ou muito baixos de neurotransmissores (como serotonina, dopamina ou noradrenalina) no cérebro, prejudicando a comunicação entre neurônios.

Porém, apesar de os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) serem frequentemente utilizados e contribuírem para a diminuição dos sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), isso não significa que o problema tenha como causa única alterações nos níveis de serotonina ou de outros neurotransmissores.

O TOC É HEREDITÁRIO?

Evidências indicam que o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) pode ter um componente hereditário. Estima-se que entre 10% e 20% das crianças que possuem um dos pais com TOC venham a desenvolver o transtorno, enquanto a maioria, cerca de 80% a 90%, não apresenta o quadro. Ainda assim, é importante não atribuir essa relação exclusivamente à genética. Atualmente, entende-se que o surgimento do TOC está mais associado à interação entre fatores genéticos e influências ambientais.

COMO O AMBIENTE PODE INFLUENCIAR O TOC?

Da mesma forma que ocorre com as explicações genéticas, não existem evidências conclusivas de que o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) seja resultado apenas de aprendizagem ou exclusivamente determinado por fatores ambientais. Ainda assim, o contexto em que a pessoa vive exerce influência importante. Isso pode ser observado nas variações dos conteúdos das obsessões e compulsões, que tendem a diferir entre grupos culturais, étnicos, de gênero e religiosos.

Além disso, os temas das obsessões não são estáticos e podem se modificar ao longo do tempo, acompanhando mudanças sociais e eventos históricos. Um exemplo disso foi o aumento de obsessões relacionadas ao HIV/AIDS na década de 1980, em paralelo à expansão da doença. De forma semelhante, durante a pandemia de COVID-19, observou-se um crescimento significativo de medos ligados à contaminação e infecção.

O TOC é um transtorno neurológico?

Pesquisas identificaram algumas diferenças no funcionamento cerebral entre pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e aquelas sem o transtorno. No entanto, ainda há limitações na compreensão exata do que essas alterações significam.

Entre as regiões que apresentam maior nível de atividade em pessoas com TOC, destacam-se:

→ O córtex orbitofrontal (COF), relacionado à formação de pensamentos, memórias, emoções e percepções intuitivas.

→O córtex cingulado anterior (CCA), envolvido na detecção e antecipação de erros, além de participar de processos como atenção, motivação, memória e regulação emocional.

→O tálamo, responsável por transmitir informações relacionadas às sensações e aos movimentos para outras áreas do cérebro.

→Os gânglios da base, que desempenham um papel importante no planejamento e na execução de ações e comportamentos.

Crédito: Buckyball Design, Melissa Thomas Baum

Conclusão:

Diante disso, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) deve ser compreendido como um fenômeno complexo e multifatorial, que não pode ser explicado por uma única causa. Fatores biológicos, genéticos e ambientais interagem de maneira dinâmica, contribuindo tanto para o surgimento quanto para a manutenção dos sintomas. Embora avanços científicos tenham ampliado a compreensão sobre o transtorno, ainda existem limitações importantes, o que reforça a necessidade de uma visão integrada e cautelosa. Assim, entender o TOC exige considerar não apenas o funcionamento cerebral, mas também a história de vida e o contexto em que cada indivíduo está inserido.

Nesse sentido, considerando a complexidade do transtorno obsessivo-compulsivo, é fundamental buscar apoio especializado para uma compreensão mais aprofundada e um tratamento adequado. O AMALI – Instituto de Psicologia oferece acompanhamento especializado para TOC e transtornos de ansiedade, com profissionais qualificados e comprometidos com uma prática baseada em evidências científicas e no cuidado individualizado.

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Referências

Aristides Volpato Cordioli. Transtorno obsessivo-compulsivo: manual de terapia cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2014.

INTERNATIONAL OCD FOUNDATION. What causes OCD? Disponível em: Acesso em: 31 mar. 2026.

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