Por: Dayane Peixoto CRP04-69422
O Transtorno Obsessivo Compulsivo pode comprometer não apenas a pessoa com a doença, mas também os seus familiares.
Cuidar de um familiar com TOC impõe um nível de sobrecarga de moderado a grave nos familiares. O transtorno interfere na rotina diária, nos momentos de lazer, no convívio social o que prejudica a harmonia familiar e sobrecarrega a família.
A família se vê então rodeada de medos, preocupações, ansiedades e muito sofrimento. Buscando ajudar os familiares podem até se envolver nos rituais, realizar lavagens, verificações e reasseguramentos, o que é conhecido pela ciência como acomodação familiar. Embora a atitude tenha uma boa intenção não é positivo para o tratamento da doença e vai na contramão das orientações da psicoterapia, pois reforça as compulsões e ajuda o paciente a evitar a ansiedade.
Em outros casos a família responde aos rituais e sintomas do TOC com agressividade, críticas e rejeição, o que é conhecido como antagonismo. Quando a família critica o paciente em excesso e demostra descrédito a possíveis mudanças o paciente se sente desestimulado e fracassado principalmente se essas críticas vêm após recaídas. Esses comportamentos hostis aumentam os sintomas do TOC, pioram a ansiedade e podem fazer com que o tratamento não avance.
Senso assim foram desenvolvidas estratégias e atitudes para que a família ajude o paciente de maneira adequada:
- Participe das psicoterapias e também da realização da EPR, conte com o profissional que acompanha seu familiar para tirar dúvidas de como você pode fazer isso.
- Encoraje gentilmente o paciente a enfrentar as situações que evita e se abster dos rituais. Lembre-o que no início é muito difícil e que pode aumentar a ansiedade e aflição, mas que ele é capaz e que você será seu apoio.
- Lembre-o que a aflição e a ansiedade passam naturalmente.
- Evite dar garantias de que o paciente não cometeu nenhum erro ou falha, pois o reasseguramento piora o quadro.
- Use lembretes com humor e sem agredir como por exemplo: “Olha o TOC”.
- Evite pressionar, ridicularizar e julgar o paciente.
Por fim, lembre-se a participação da família de forma coerente e alinhada com a psicoterapia contribuem para melhores resultados.
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Referências:
Cordioli, A. V. (Org.). Manual de terapia cognitivo-comportamental para o transtorno obsessivo-compulsivo. 2.ed. Porto Alegre: Artmed,2014.
REMMERSWAAL, Karin C. P.; BATELEAN, Neeltje M.; VAN BALKOM, Anton J. L. M. Relieving the burden of family members of patients with obsessive-compulsive disorder. Clinical Neuropsychiatry, v. 16, n. 1, p. 47–52, fev. 2019. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8650188/. Acesso em: 23 fev. 2026.